terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Maratona Oscar 2011: Black Swan (Cisne Negro)

Cisne Negro é um filme tenso, intenso e sombrio com azeite kafkiano. Um primor gótico. A direção ousada o transforma num balé sobre o balé e injustiça de espécie alguma seria feita se filme e direção fossem premiados com o Oscar, embora eu creia que essa atmosfera dark não faça a cabeça da academia. Natalie Portman, numa atuação surpreendente, vive a esquelética e quase frígida quase lésbica bailarina Nina, a nova solista da companhia liderada por Thomas Leroy (Vincent Cassel),  um Jedi do balé, que sapateia no coração de sua estrela para que ela encontre a excelência na atuação do espetáculo O Lago dos Cisnes.

- Desce um X-Tudo!

Meio caminho já está percorrido, Nina é tecnicamente perfeita e incorpora sem dificuldades o Cisne Branco, mas precisa exorcisar demônios interiores e parte numa luta esquizofrênica contra uma mãe superprotetora e uma rival desonesta para encontrar o Cisne Negro que habita dentro de si, aliás, a cena da metamorfose de Nina é de tremer na cadeira.

O Cisne Negro concorre ainda nas categorias edição e fotografia. Há quem diga que apenas o bom trânsito de Annette Bening na academia pode tirar o Oscar de Natalie Portman, que já ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz dramática, mas vamos torcer para que o talento vença o lobby.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Maratona Oscar 2011: The King's Speech (O Discurso do Rei)

O Discurso do Rei é um belíssimo filme sobre as dificuldades na fala do Duque de York (Colin Firth), que vem a se tornar o Rei George VI, sucessor ao trono do Império Britânico depois da morte de seu pai, o Rei George V, e da renuncia de seu irmão mais velho, o sucessor natural Edward VIII (Guy Pearce). Questões políticas como a simpatia do Rei Edward VIII pela Alemanha nazista e a declaração de guerra contra a mesma Alemanha pelo Rei George VI no que viria a se tornar a Segunda Grande Guerra Mundial orbitam a trama, mas o norte principal é a gagueira do Rei. Dos que eu vi até agora, é o que tem as melhores chances de levar nas categorias filme e direção.

Colin Firth está excepcional na pele do tímido e gago Rei George VI, o pai da Rainha Elisabeth, e provavelmente leve o prêmio de melhor ator, embora Jeff Bridges também esteja na briga, mas vou falar sobre esse embate depois que eu ver Bravura Indômita.

- O rato roeu a roupa do rei...

Geoffrey Rush, o médico que não é médico, que quer ser ator, que se torna o único capaz de amenizar a gagueira de George com seus métodos pouco convencionais e que consegue conquistar a amizade do Rei, também está impecável, mas só o lobby em cima do Discurso do Rei pode fazê-lo tirar o Oscar de melhor ator coadjuvante de Christian Bale.

A elogiadíssima atuação do elenco principal que conta também com Helena Bohan Carter é favorecida por um roteiro primoroso, muito bem escrito e que eu coloco também como favorito ao prêmio da categoria, mas com a mesma ressalva que eu já fiz sobre o roteiro de  O Vencedor.

Por falar nela, como é bom ver Helena Bohan Carter fora da asa de Tim Burton, a interpretação dela é surpreendente porque é exatamente o contrário de tudo que ela está acostumada a fazer, uma personagem sem excentricidades, uma esposa amorosa e dedicada, enfim, mereceu a indicação, mas dificilmente desbanque Melissa Leo na categoria melhor atriz coadjuvante.

O Discurso do Rei disputa ainda nas categorias Direção de Arte, Fotografia, Figurino, Montagem, Trilha Sonora (que me agradou) e mixagem de som. Amanhã trago minhas impressões sobre o Cisne Negro.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Maratona Oscar 2011: The Fighter (O Vencedor)


Dos indicados ao Oscar 2011 de melhor filme até ontem eu só havia assistido Inception (A Origem) e Toy Story 3. A Rede Social ainda tenho esperança de vê-lo antes da premiação, embora já não esteja em cartaz na maioria dos cinemas do Rio de Janeiro, mas quando terminar o final de semana já terei visto metade dos filmes indicados, isso porque ontem iniciei a minha maratona anual de filmes indicados ao Oscar que consiste em ver o máximo de filmes possíveis antes da festa de premiação.

Mark Wahlberg e meu amigo Zé Luiz

Comecei com The Fighter (O Vencedor), a história dos meio-irmãos Dick Eklund e Micky Hard, que Mark Wahlberg bancou e Christian Bale roubou a cena, um filmaço sobre conflitos famíliares e os manjadíssimos clichês hollywoodianos sobre histórias de superação baseadas em fatos reais que sempre conquistam o público. O pano de fundo é o mundo do boxe, lembrando que Rocky, um lutador, surpreendeu em 1977 contando a mesma história e provavelmente esgotou há mais de 30 anos a cota de Oscars de melhor filme e direção para esse tipo de história.

A expectativa na Associação Brasileira de Críticos de Cinema lá de casa é que, se Christian Bale conseguir superar as imprecauções que possui na academia, O Vencedor, o filme, talvez repita Bastardos Inglórios e, apesar do número expressivo de indicações, fique apenas com o prêmio de melhor ator coadjuvante. Muita gente diz que Melissa Leo é barbada para o prêmio de melhor atriz coadjuvante, mas embora ela esteja realmente excelente no filme, ainda quero ver O Discurso do Rei, Bravura Indômita e Animal Kingdom para analizar as demais candidatas. Amy Adams, sua colega de elenco e indicada ao mesmo prêmio, não leva essa nem que uma manada de zebras invadam o Kodak Theater.

Sobre as demais indicações, acho dificil um filme baseado em fatos reais ganhar um prêmio de melhor roteiro original, me parece um contra-senso essa indicação. A edição é competente, mas não creio que a ponto de ser premiada.

No final da maratona faço a minha lista. Amanhã coloco minhas impressões sobre O Discurso do Rei.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Acontece que eu não tenho escolha..."


Eu sou o cara da canção do Nei Lisboa, mas nem tanto, eu não sou rei, eu sou guerreiro, eu sou o cara estradeiro do romance beatnik com a mochila nas costas e uma maçã na mão, mas por enquanto eu não tenho peito de por o pé na estrada, mas faço de conta...

WMP: Dirá, Dirás – Nei Lisboa

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Aquecimento Acústico MTV Engenheiros do Hawaii


Daniela no País da MTV
Apresentação: Daniela Cicarelli
Programa gravado em 19/08/2004 e exibido em 31/10/04

Cliperama
Apresentação: Rafa
Programa exibido ao vivo em 03/11/04

Disk MTV
Apresentação: Sara
Programa exibido ao vivo em 03/11/04

Videoclash
Apresentação: Rafa
Programa exibido ao vivo em 03/11/04

Pulso
Apresentação: Penélope Nova e Léo Madeira
Programa exibido ao vivo em 04/11/04

Jornal da MTV Especial
Apresentação: Edgar Picolli
Programa exibido em 05/11/04

Drops Jornal da MTV Especial
Apresentação: Edgar Picolli
Flash da gravação exibido em 05/11/04

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

ANA
















Quando eu pus os pés no chão,
você pôs o chão pra eu pisar,
mas eu não pisei firme,
eu contei os passos,
eu parei pra pensar;

Você,
outrora doce e terna,
mostrou sua face destruídora
causadora de dor
e me puxou o tapete
e me passou a perna;

Eu caí de cara,
perdi a conta,
te perdi de vista
e desaprendi a contar.

PS-Texto velho. Um dia conto como imaginei ele sendo dito.

domingo, 8 de agosto de 2010

2002 - Farinha do Mesmo Saco (MP3)

Profissionais liberais, esportistas, religiosos, Chefes de Estado, críticos de arte e picaretas do mundo inteiro reuniram-se no Salão Oval lá de casa para discutir qual seria o melhor disco dos Engenheiros do Hawaii na era pós GLM.

Surpreendentemente e contrariando as recomendações da Convenção de Genebra, Farinha do mesmo saco, o CD solo de Carlos Maltz, foi apontado pela maioria esmagadora, voz da razão, o melhor e mais engenheiro disco dos Engenheiros nos últimos 17 anos, deixando para trás a power trinca perturbadora de Humberto Gessinger Trio, o hard rock nativista de Minuano e a tensão à flor da pele de Tchau Radar entre outros.

A conclusão acima veio à tona porque no Farinha concentra-se dois terços do talento da legítima engenharia hawaiana, algo que não se via desde o conturbadíssimo e superproduzido Simples de Coração, único disco dos Engenheiros vendido em boutique, mas ainda com alto teor enghaw.

O baixo encorpado do Farinha, a bateria raçuda, o ambiente amador, a capa artesanal e a química entre o corpo e o coração dos Engenheiros caem como uma luva na produção do disco e, de quebra, marca e celebra o reencontro de Humberto Gessinger e Carlos Maltz, que, ao longo de 11 faixas, dividem vocais, vêem o mundo girar no jardim das acácias de Zé Ramalho e transformam a oração de São Francisco num rock n´roll da melhor qualidade.

Pra finalizar mais esse texto pretensioso e jornalisticamente canalha, um momento de lucidez: embora as letras intimistas de Gessinger tenham dado lugar ao discurso libertário com azeite esotérico de Maltz e a guitarra, mesmo nos Engenheiros, há tempos já tenha ficado bem menos refinada, a sonoridade do Farinha remete à bons tempos que dificilmente voltarão.

1987 - Carecas da Jamaica (MP3)

domingo, 25 de julho de 2010

1999 - SongBook Chico Buarque (MP3)









Programas de Rádio Diversos (MP3)












(3 Participações)

2004 - Balacobaco (Rádio Rock) / 2004 - Botequinho (96FM) / 2005 - Gaúcho Entrevista (Rádio Gaúcha) / 2005 - Transalouca (Rádio Transamérica) / 2007 - Band News / 2007 - Bola nas Costas (Rádio Atlântida) / 2007 - Líder FM / 2008 - Programa das 7 (Rádio Guaíba) / 2009 - Rádio Ipanema / 2010 - A Hora do Rush (PopRock)

sábado, 24 de julho de 2010

domingo, 18 de abril de 2010

Engenheiros da Capital, Longe Demais do Hawaii


Dentro do imenso emaranhado de ironias, contradições e autoboicotes que a banda Engenheiros do Hawaii premeditou para si, um dos primeiros grandes equívocos foi a escolha do nome. Embora a choradeira pela posição geográfica desfavorável dentro de uma realidade cultural ingrata cantada na faixa título do primeiro álbum, o Longe Demais das Capitais, parecesse demasiado honesta, a explicação mais recorrente era o cúmulo do antimarketing: não queriam ser levados a sério.

Enquanto os contemporâneos do rock nacional usavam seus superpoderes para proteger os fracos em frascos oprimidos como já dizia um grande poeta guarulhense, Humberto Gessinger, Carlos Maltz e Marcelo Pitz preferiram não pegar carona na inventividade pretensiosa dos anos 80 e optaram por algo menos imponente e com um significado restrito a realidade da Escola de Arquitetura, mas isso é outra história...

O que nem os críticos e cobras da Folha foram capazes de explicar é como esse tiro saiu pela culatra, à partir d´A Revolta dos Dândis, o nome Engenheiros do Hawaii tornou-se um conceito tão forte que influenciou projetos gráficos, figurinos, personalizou instrumentos e até foi objeto de batalha judicial.

Claro que a metamorfose pela qual passou o nome não explica o fenômeno de público que os Engenheiros do Hawaii se tornaram nos idos dos anos 80 e 90. Adotado numa brincadeira de estudantes, para sacanear os colegas/rivais da sala ao lado, o nome cresceu, encorpou-se e, em 25 anos, ainda gera tensão ao ser pronunciado. (E sempre surge algum desavisado querendo saber o porquê da escolha).

WMP - Longe Demais das Capitais: Engenheiros do Hawaii

domingo, 13 de setembro de 2009

Twitando e blogando e seguindo a canção...

Acabei de twittar que sou tão ruim de palpites que posso acertar as 6 dezenas da mega sena a qualquer momento, haja vista que na grande maioria das vezes os ganhadores dizem que nunca se deram bem nem em rifa de Ovo de Páscoa. Tudo bem, eu não tenho embasamento estatístico pra fundamentar nenhuma das teorias bobocas que relato agora nesta pretenciosa integração twitter-blog, mas acho que a minha relação com a mega sena está virando doença. Outro dia eu estava em Maria da Fé, uma simpática cidadezinha ao sul de MG onde residem alguns queridos parentes (Eu sei que a palavra querido e parente não combinam, mas esse caso é excessão) e passei em frente a uma casa lotérica, onde fui incorporado por um picareta matemático de quinta categoria e em fração de segundos realizei exercícios de lógica (sem lógica), inconsistentes calculos de probabilidades e decidi que eu deveria jogar porque os prêmios costumam sair pra essas cidades pequenas que ninguém conhece e que parecem nem estar no mapa, e não é que saiu...para um bolão dos funcionários de uma loja do Shopping Rio Sul, em Botafogo, na zona sul da capital do Rio de Janeiro.
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Momento espírito de porco: tudo bem, eu nem queria ganhar mesmo, além do mais, deve ser um saco ganhar 30 milhões e ter que dividir com 40 pessoas, não dá nem 1 milhão por pessoa...

WMP: Ainda é Só o Começo - Gabriel, O Pensador

sábado, 15 de agosto de 2009

Com a cabeça no lugar

Agosto realmente é um mês de cães danados e, pelo menos lá no trabalho, parece que, ao contrário da corinthiana, a crise financeira mundial está querendo abreviar sua passagem pelo setor de transportes, o tempo do ócio se foi e a necessidade de rebolar pra reduzir custos sem precisar demitir pessoal pelo menos por enquanto ficou em segundo plano, o foco das nossas angústias voltou a ser atender os clientes de forma rápida e eficiente como todo bom operador logístico deve fazer, mas nem sempre é fácil como escrever essas parcas linhas, essa semana mesmo o volume de trabalho foi tão grande que, embora nessas horas seja necessário manter a cabeça no lugar, precisei vestir meu colete de desvirtudes e descer ao baixio das bestas para explicar ao representante mimado de um cliente, como se ele tivesse oito anos de idade, que uma empresa de transportes não é uma pastelaria, que não podemos receber uma solicitação e atendê-la em 3 minutos conforme ele queria, pois nossos veículos estavam todos à serviço da programação do dia realizada com pelo menos 24 horas de antecedência e, infelizmente, não seria possível atendê-lo, pois ainda não detemos a licença de uso da telecinésia.

Claro que uma jornada de trabalho numa empresa de transportes representa uma sucessão de reviravoltas que vão se metamorfoseando ao longo do dia e, graças a essa rotina e ao filho da puta que inventou que o cliente tem sempre razão, pudemos realizar alguns ajustes: cancelamos uma operação menos urgente aqui, desviamos uma rota ali, sacrificamos o horário de almoço de um motorista acolá e conseguimos realizar o serviço que nos foi solicitado em cima da hora. Operamos um milagre logístico porque somos bons no que fazemos, sujamos as mãos, enfiamos os pés na lama, não fugimos da responsabilidade, mas o mala sem alça ainda considerava inadmissível que não possuíssemos um ou dois veículos em stand-by para apagar os incêndios provocados pelos clientes.

O que ele esperava era que seguíssemos um modelo logístico utópico, de primeiro mundo, europeu, provavelmente alemão ou holandês, daqueles que aprendemos na faculdade e desaprendemos na prática, o que é inalcançável dentro de um contexto terceiro-mundista e de uma infra-estrutura capenga e corrupta como a que temos no Brasil. Melhor encurtar a conversa e encerrar por aqui, este texto está ficando didático demais.



WMP: Fernando Pessoa Blues - Velhas Virgens

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Saiba que eu tenho approach

Eu, robocoptico paulistano convicto e desprovido de ginga, ziriguidum e balacobaco, olhando de fora, estrangeiro como na canção dos Engenheiros, americano como na do Caetano, mas não nela toda, sempre tive a sensação bairrista e com o pote até aqui de preconceitos de que jamais me adaptaria ao estilo de vida preguiçoso, desbundado e bagaceiro do carioca, mas quando migrei de mala, cuia, discos e livros e fixei residência na cidade maravilhosa e me vi inserido num contexto de belas paisagens e verão latente aliados a alegria contagiante dos locais, minha hipocrisia leonina do terceiro decanato, em quase 5 minutos, desfez todas as imagens prejulgadas que eu havia criado e, graças a minha origem nobre, digo, paulistana, me tornei um carioca melhorado totalmente integrado às belezas e delicias que esta cidade proporciona e que os locais parecem não saber aproveitar.



Por falar em ótica estrangeira, acabei de ler Duas Águas, Duas Novelas, o romance experimental quase didático com sotaque gaúcho de Luís Augusto Fischer, para o qual Humberto Gessinger escreveu a orelha, e me impressionou a dualidade atingida em duas belas e curiosas histórias. Independentes e carregadas de deliberada antinomia na forma como foram escritas, a pseudo-machadiana Na feira, às 4 da tarde, retrata um triângulo amoroso que envolve uma guria morta e utiliza a Porto Alegre da tradicional Feira do Livro como cenário para um relato sem firulas de uma trama leve (mesmo com o ingrediente nefasto), dinâmica e linear. Ao passo que Mundo Colono, a segunda água, é denso, obscuro, melancólico e psicografado pela memória da infância de um homem que reconstrói suas lembranças da tenra idade em forma de pintura. Ambas são opostas, uma é urbana, a outra, campestre, uma é explicita e a outra, mistério, mas se completam, como Gil & Caetano-Câncer & Leão-Lua & Sol-Água & Fogo, como se uma fosse o apêndice astrológico e não pudesse existir sem a outra. Boa Leitura.

WMV: Lugar Nenhum - Titãs

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Súplica Cearense

A canção súplica cearense traduz o lamento do sertanejo que se vê em saias justas com Deus. Luiz Gonzaga e Fagner carregam de emoção um canto neo-barroco quase excêntrico e contraditório, mas humilde na simplicidade do povo nordestino. Vale à pena conferir esta que é a melhor versão desta canção, escrita por Gordurinha, também conhecido pelas parcerias com Jackson do Pandeiro, e Nelinho, de quem eu não encontrei referência alguma, mas que teve um homônimo nos anos 70 e 80 que jogava muito e metia duas curvas na bola, mas isso não vem ao caso agora. Há versões dessa canção nas vozes de Vanuza, aquela das manhãs de setembro, e mais recentemente do Rappa.



Clique AQUI e faça o download da canção Suplica Cearense.

Súplica Cearense
(Luiz Gonzaga & Fagner)
Autores:(Gordurinha & Nelinho)

Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol se arretirou
Fazendo cair toda chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedir pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará

sábado, 1 de agosto de 2009

A Dança de Jim Bean

Faz tanto tempo que eu não atualizo este blog que me impressiona sobremaneira notar as alterações no marcador de visitas. Pelos meus cálculos, nos últimos meses atingimos a incrível marca de 17 acessos diários, o que me traz novamente, com minha articulação perfeita e modéstia moderada, para mais uma tentativa de tirar o blog do limbo e fazer meus fiéis e assíduos seguidores perderem tempo com minha oratória machista, falta de tato para assuntos diversos e textos banais repletos de afetações que não apenas encherão nossos cérebros de nada como também nos levarão a lugar nenhum.

“...nós não precisamos saber pra onde vamos,
nós só precisamos ir...”


Sim, eu continuo, desde os tempos do finado Bianca se foi, com o hábito nefasto de utilizar fragmentos de canções para compensar minhas imprecisões linguísticas, principalmente de uma certa banda de rock oitentista com influências beatnik nas letras. Falando nisso, li recentemente o livro Hollywood, um auto-biográfico fabulário etílico apaixonante sobre as dúvidas, contradições e desventuras de Charles Bukowski, um velho poeta bêbado desrregrado e ícone da contracultura mundial que, mesmo considerando o cinema uma arte menor e odiando tudo que ele representa, escreve o argumento para um filme e embarca na aventura errante de tentar produzi-lo.


Ao contrário do que eu acreditava até começar a ler o livro, este não tem nada de beatnik, mas isso é outra história...

WMP: Infinita Highway – Engenheiros do Hawaii

domingo, 26 de abril de 2009

1987 - Julio Reny & Expresso Oriente



***DOWNLOAD***

*Album gravado ao vivo no Porto de Elis em 30 de Outubro de 1987.

01 - Expresso Oriente
02 - Garota do Carro Vermelho
03 - 360 Elevadores
04 - Garoto Troglodita
05 - Amor e Morte
06 - Ivone
07 - Sandina
08 - Lola (Não chores Lola)
09 - Maomé
10 - Expresso Oriente (Bis)

Músicos:
Julio Reny - Voz e Guitarra
Jimi Joe - Guitarra
Vasco Piva - Sax e Teclados
Carlos Migno - Bateria
Carlo Pianta - Baixo

Participação Especial: Engenheiros do Hawaii
Humberto Gessinger - Voz e Guitarra em Ivone
Augusto Licks - Guitarra em Lola
Carlos Maltz - Percussão em todas as canções

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Primavera do Gato Amarelo




É irônico que, por influência de um Humberto Gessinger violeiro em crise de identidade e criatividade, eu tenha me permitido, após quase 20 anos, ouvir Julio Reny, o cara que cantou os Guardas da Fronteira com os Engenheiros do Hawaii no album amarelo, e tenha gostado tanto. Aproveitem, quase não dá pra notar a viola caipira.

domingo, 7 de setembro de 2008

Why so Serious?



Heath Ledger foi um ator que nunca havia me impressionado por interpretação alguma, sempre considerei sua presença irrelevante na hora de escolher um filme para assistir, sua escalação para o Coringa deixou a mim e a uma legião de fãs com o pé atrás, muitos queriam Vincent Cassel por sua semelhança física com o personagem dos quadrinhos e havia até uma campanha da qual eu simpatizava para que Jack Nicholson revivesse um de seus personagens mais marcantes, mas Heath Ledger superou todas as expectativas, surpreendeu a todos com uma criação magnífica, tão intensa e perturbadora que me lembra o Jim Morrison de Val Kilmer e me faz especular por quantos demônios ambos tenham se deixado atormentar para atingir tamanha representação da loucura em cena.

Todas as produções de filmes do Batman sempre privilegiaram a composição dos vilões, tanto que o astro do primeiro filme dessa retomada iniciada por Tim Burton no final dos anos 80 foi o Coringa de Jack Nicholson, que teria aberto mão do cachê em favor de uma pequena participação na bilheteria e recebido algo em torno de sessenta milhões de dólares para emprestar seu carisma ao personagem e credibilidade à produção, mas o que durante quase 20 anos era a maior transposição de um personagem de HQ para a tela grande, o Coringa de Heath Ledger conseguiu transformar num vilão tão infantilóide quanto um personagem da Malhação.

Talvez a diferença esteja no fato de que Jack Nicholson se divertiu dando vida ao palhaço do crime e Heath Ledger tenha mergulhado profundamente em sua composição, há relatos de que ele teria se trancado durante um mês num quarto de hotel até chegar no que considerou sua criação ideal e há até quem atribua sua morte acidental por overdose de medicamentos a resquícios dessa possível maratona suicida.

Ainda explorando essa tendência de os vilões sempre roubarem a cena nos filmes do Batman, nem a caracterização do Pinguin de Danny DeVito nem a beleza estonteante da Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer ou a presença imponente e sarcástica do Charada de Jim Carrey, nada disso supera o caos provocado pelo Coringa de Heath Ledger em cena, mas com sua trágica morte aos 28 anos, o ator australiano não pôde acompanhar a repercussão de sua elogiadissima performance, não pôde se dar conta do que agora representa para os fãs de cinema e HQ e, ao contrário do que pretendia a produção desse que já se tornou a segunda maior bilheteria de todos os tempos, o Coringa não poderá retornar no próximo filme, a não ser que se escale um novo ator, dizem até que Jonny Depp já se ofereceu para o papel, mas isso é outra história...


"Numa das melhores e mais inusitadas cenas do filme o Coringa diz que é um homem de hábitos bastantes simplórios, que para ele alguma pólvora e gasolina já o satisfazem e queima uma montanha de dinheiro."

WMP: Gothan City - Camisa de Vênus

domingo, 31 de agosto de 2008

In Memorian



O objetivo deste blog não é fazer lamentações de espécie alguma. Chorar as pitangas, choramingar o leite derramado, fazer desabafos emocionados, enfim, nunca me pareceu uma forma interessante de chamar a atenção, qualquer paixão me diverte, mas a nação corintiana está de luto e eu sou solidário: morreu semana passada de câncer no pulmão, aos 59 anos, Moisés Matias de Andrade, o Moisés, folclórico zagueiro do final dos anos 60 ao início dos 80 que, além de ter aberto o mar vermelho e defendido os 4 grandes times do Rio de Janeiro, fez história no Corinthians, onde ajudou, após 22 anos, oito meses e sete dias, a levantar o caneco do Campeonato Paulista de 1977. No ano anterior, já teria participado de outro momento histórico, o jogo que ficou conhecido como a invasão do Maracanã pela torcida corintiana, o maior deslocamento de pessoas em tempos de Paz, onde, inclusive, marcou um dos gols de pênalti na semi-final que eliminou o favoritíssimo Fluminense. Sua tábua de mandamentos rezava que zagueiro que se preste não ganha o Belford Duarte, prêmio concedido pela CBF aos jogadores de conduta irrepreensível dentro de campo.

WMV: Fama de Mau - Erasmo Carlos