Cisne Negro é um filme tenso, intenso e sombrio com azeite kafkiano. Um primor gótico. A direção ousada o transforma num balé sobre o balé e injustiça de espécie alguma seria feita se filme e direção fossem premiados com o Oscar, embora eu creia que essa atmosfera dark não faça a cabeça da academia. Natalie Portman, numa atuação surpreendente, vive a esquelética e quase frígida quase lésbica bailarina Nina, a nova solista da companhia liderada por Thomas Leroy (Vincent Cassel), um Jedi do balé, que sapateia no coração de sua estrela para que ela encontre a excelência na atuação do espetáculo O Lago dos Cisnes.
Meio caminho já está percorrido, Nina é tecnicamente perfeita e incorpora sem dificuldades o Cisne Branco, mas precisa exorcisar demônios interiores e parte numa luta esquizofrênica contra uma mãe superprotetora e uma rival desonesta para encontrar o Cisne Negro que habita dentro de si, aliás, a cena da metamorfose de Nina é de tremer na cadeira.
O Cisne Negro concorre ainda nas categorias edição e fotografia. Há quem diga que apenas o bom trânsito de Annette Bening na academia pode tirar o Oscar de Natalie Portman, que já ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz dramática, mas vamos torcer para que o talento vença o lobby.











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